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Para estes “roubos” não existe legislação.

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Existem conhecimentos antigos que permanecem tão atuais que parece que foram escritos ontem. Relendo um livro do Nilton Bonder encontrei uma destas pérolas.

A Bíblia classifica as intenções de furto ou roubo em duas categorias, a do saque, que uma das definições é a apropriação indevida do que não nos pertence e a outra é a manutenção de algo tomado que pertence ao outro e que mesmo pretendendo que não fique conosco, interferimos evitando que volte ao seu legitimo dono, diferenciação está feita por Maimônides, filosofo judeu da idade de ouro da Espanha.

E o Nilton sugere classificar este tipo de roubo assim:

Roubo de tempo.

São todas aquelas situações nas quais você e os outros podem responder sem procrastinar, sem postergar, e apesar disso, deixam para depois. E não percebemos o impacto que isso tem no desenvolvimento das pessoas e das organizações.

Quantas vezes devem ter solicitado a vocês propostas “urgentes” e as respostas, quando chegam, vem muitas vezes sem uma definição clara. É o temor a dizer que não, que não poderá ser realizado agora, ou qualquer outra explicação que deixe a pessoa livre de esperar uma resposta.

Nas redes sociais também vemos este roubo de tempo, o brasileiro até o final do ano passado usava 2 horas de seu dia nas redes sociais. Não quero nem ver na pandemia o quanto isso aumentou.

E a natural disputa por atenção nas redes também é um roubo, posts polêmicos ou caçadores de cliques, a energia gasta apenas em ler os posts é enorme.

Já fizeram com você? E você? Já fez com alguém?

Roubo de expectativas.

Analisemos estas situações, alguém te oferece um produto ou serviço e você por não desagradar, gera uma “esperança” de possível transação futura, ou quando está selecionando alguém para trabalhar na tua empresa e não lhe dá respostas sobre a sua escolha.

Em qualquer transação, temos que ser conscientes do impacto que estamos causando ao parceiro potencial. E que trocando papeis, você poderá ser o próximo a ser impactado?

O roubo de expectativas pode vir de muitas formas:

Uma empresa que transmite uma imagem ao candidato, ou ao consumidor que não reflete a realidade.

Uma promessa de promoção, ou de aumento, ou de movimentação futura, para manter a pessoa engajada.

As promessas de cursos milagrosos, que não tem a ver com os teus talentos ou aquilo que te faz vibrar.

Roubo de informação.

Quantas vezes te ocorreu que pediram uma informação e por descuido ou desleixo deu ela incompleta? Já se perguntou como você gostaria de receber essa informação?

Informação é poder? Quanto perdemos pela falta ou troca de informação incompleta!

O maior reflexo aqui são a profusão de fake news.

Para nós, compartilhar conhecimento é enriquecer a todos e contribuir com a evolução das pessoas e do mercado.

Considero muito as famosas 3 peneiras de Sócrates ao publicar um conteúdo, se aquele conhecimento é verdade, se é bom, se constrói algo, e finalmente se responde a uma necessidade da empresa, comunidade.

A imposição de um ponto de vista para demonstrar razão ou superioridade intelectual, na grande parte das vezes acaba sendo um mal uso da informação, sem falar que se encaixa também no roubo de tempo.

Roubo de Prestígio.

Aqui se trata de opinar sobre algo ou alguém e essa fala pode selar decisões ou destinos dessa pessoa.

Isto exige um alto nível de responsabilidade de cada um de nós quando somos convidados a opinar o que achamos sobre um assunto ou sobre uma pessoa.

As más línguas matam três pessoas; quem fala, quem ouve e de quem se fala. Principalmente quem ouve, pois dá espaço a um poder de destruição significativo.

E hoje, as mídias e interações nas redes sociais com o poder que temos dado a elas, é possível arrasar com o prestígio de muita gente.

A polemica cultura do cancelamento, onde muitas vezes por discordar ou serem mal compreendidas as pessoas são linchadas online. Isso sem falar nos haters que descarregam suas frustrações nas publicações de tanta gente.

Diminuir os outros, fazer um juízo de valor, ou tentar demonstrar superioridade também pode ser uma tentativa de roubar prestígio dos outros.

Se quisermos criar um ambiente positivo, saudável, sustentável, e até ecológico, que tal fazer um balanço sincero sobre como cada um de nós contribui com esses roubos?