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Mindfulness e decisões estratégicas:

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por Miguel Nisembaum

A pressão e velocidade do mercado hoje levam as lideranças a serem mais reativas e menos proativas. Existe uma tecnologia milenar que pode contribuir muito para reduzir esta reatividade: Meditação..

Nós pensamos que o nosso processo de tomada de decisão é racional, mas na maioria das vezes nossas emoções e crenças arraigadas são quem nos fazem buscar os dados e informações para selar aquilo que já havíamos decidido. O que chamamos de viés cognitivo.

Isso contribui para uma série de erros cognitivos que podem trazer um impacto negativo em nossas decisões.

Esse viés vem de várias fontes: do excesso de informação, do pouco questionamento da informação recebida, da influência do pensamento de grupo, da confirmação de conceitos já estabelecidos em nossa mente, e finalmente da falta ou do excesso de confiança em nós mesmos.

A Meditação pode contribuir como um momento de parada promovendo uma maior conscientização interna e externa e uma redução do ruído gerado pelo excesso de pensamentos.

Normalmente estamos presos ao passado e ansiosos com o futuro, não colocando atenção plena no presente.

Essa divisão de energia acaba nublando nossa observação do que acontece agora.

O professor Juan Humberto Young do IE- Instituto de Empresa de Madrid nos propõe um modelo de como o corpo e cérebro interagem para gerar nossas ações ou não-ações.

Este ciclo é composto por: Sensações ou Sinais do Corpo, Sentimentos/Emoções, Ideias/Pensamentos, e Impulsos para a Ação.

A proposta é que através da meditação exploremos cada etapa do ciclo com o mínimo de juízo de valor possível.

Após explorar cada elemento, fazer uma pausa para buscar uma resposta mais adequada a cada situação, assim reduzido a impulsividade e reatividade que pode levar em segundos a uma ação desastrosa.

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Com a prática esse processo acaba acontecendo de forma rápida e fluída, e poucos segundos de pausa podem contribuir para uma melhor decisão e ir fazendo o ajuste fino de o que, quando e como responder as situações (o que deixar de fazer, o que reduzir, o que incentivar ou uma nova maneira de responder).

A prática redireciona a atividade reativa do cérebro para o córtex pré-frontal, que é o centro do pensamento lógico e controle de impulsos. A meditação não é o único, mas é um elemento que pode ajudar a nos colocar no controle de nossas mentes e por extensão de nossas vidas.

Traduzindo isso em um plano estratégico se imaginamos uma matriz SWOT, sempre há um desequilíbrio ao olhar as variáveis para que elas respondam a aquilo que queremos confirmar seja pelo negativo olhando as Fraquezas e Ameaças ou pelo positivo olhando as Fortalezas e Oportunidades.

A meditação pode ajudar a ter um olhar mais amplo e menos enviesado de como as coisas se apresentam.

Algumas recomendações para incorporar essa prática:

10 Minutos de Meditação guiada diária –Procure fazer disso um hábito.

Existem uma série de aplicativos que podem ajudar com isso como o Headspace (em inglês) ou Iniciativa Mindfulness (em português), ou meditações guiadas no youtube.

Recomendo buscar conhecer melhor o trabalho de Jon Kabat-Zin.

Existem cursos presenciais no Brasil.

Reduzir o multitasking e o multithinking – Estes dois aspectos sempre dão a ilusão de que seremos mais produtivos ao lidar com mais de um tema ao mesmo tempo. É verdade que a realidade hoje as vezes impõem isso, mas é fundamental buscar momentos de concentração.

Veja este artigo sobre o impacto de ser multitarefa.

“A Magia de fazer uma coisa de cada vez”

Evite iniciar o dia com e-mails e telefonemas, ir diretamente às atividades pode facilmente fazer com que você leve o dia de forma reativa.

Olhe menos o smartphone, arrume momentos de pausa para isso.

Amplie o conhecimento que tem de si mesmo.

Amplie sua consciência corporal (através da atividade física que for mais atrativa pra você).

Amplie o conhecimento que tem de seus stakeholders (fornecedores, clientes, colaboradores) e do mercado.