Escolhi o título deste artigo, pois uma canção do Milton Nascimento e Ronaldo Bastos martela insistentemente na minha mente.
Para quem não lembra desta música, comento aqui algumas palavras.
Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está, amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Eu também tenho certeza de que nada será como antes amanhã.
A situação que estamos vivendo nos ultrapassa e não tem referência. É sem dúvida uma crise de saúde, econômica, social e que espero, possa promover significativas mudanças de valores.
Durante a crise de 2008, muitos se perguntavam “como será o normal “e argumentavam que o que vira será completamente diferente do normal conhecido.
Pois bem, esta crise, muito mais profunda, muito mais global, com claras constatações da não existência de fronteiras nos coloca incógnitas muito maiores.
(John Lennon estaria feliz se a falta de fronteiras fosse por outros motivos)
Nesta nova realidade sem precedentes, testemunharemos uma reestruturação dramática da ordem econômica e social em que os negócios e a sociedade operam tradicionalmente. E, em um futuro próximo, veremos o início de discussões e debates sobre o que o próximo normal poderia acarretar e quão acentuadamente seus contornos divergirão daqueles que moldaram nossas vidas anteriormente.
Como poderemos navegar esta crise quando as métricas e pressupostos tradicionais tornam-se irrelevantes?
Esta crise nos exige atuar simultaneamente e de forma coordenada em varias frentes.
Resolver a capacidade de resposta dos sistemas de saude, a continuidade dos negocios e dos empregos, a nova realidade de trabalhar home office.
Resiliência , como responder as ameaças que colocam em xeque os nossos sistemas econômicos, o nosso bem-estar e sobrevivência.
Reativar os negócios com saúde operacional será extremamente desafiador.
Reimaginar a mudança nas preferências e expectativas dos indivíduos como cidadãos, funcionários e consumidores. Essas mudanças e seu impacto sobre como vivemos, como trabalhamos e como usamos a tecnologia surgirão mais claramente nas próximas semanas e meses.
Instituições que se reinventam para aproveitar ao máximo a melhor visão e previsão, à medida que as preferências evoluem, terão um sucesso desproporcional e terão que levar em conta os novos valores que poderão surgir das experiências vividas neste tempo de Coronavírus.
Nada será como antes, amanhã.
E aqui a música de Milton em uma versão ao vivo excelente!




