Psicologia Positiva

A felicidade acontece mais nos bastidores que no palco

No dia mundial da felicidade e nesses 20 anos trabalhando com psicologia positiva alguma coisa mudou.

Alguns anos atrás as semanas prévias a esta data eram uma loucura de gravações e entrevistas com amigos meus especialistas do mundo inteiro, apoio em pesquisas globais. Este ano aconteceu diferente, mais discreto, mais reservado.

Não foi por desilusão com o tema, foi uma mistura de agenda, prioridades, e de convicção que as mudanças consistentes são geradas por uma soma de elementos que acontecem nos bastidores.

Quando vejo as dores das pessoas trabalhando há só uma mudança de endereço para citar algumas:

Sobrecarga de trabalho

Sobrecarga cognitiva

Relacionamentos tóxicos no trabalho

Insegurança psicológica

Pouco alinhamento entre seus valores, potencial e os desafios do trabalho

Percepção de baixa autonomia, competência, desconexão.

E não faltam dados, temos profissionais e acadêmicos que são incansáveis em entender melhor os temas de bem-estar e florescimento das pessoas no trabalho. Celebro muito o trabalho dessas pessoas!

E no final das contas por melhor que seja o programa de bem-estar na maioria das vezes ele é tratado como satélite e não como algo central a sustentabilidade da estratégia da organização. 

A postura de modo geral é de cuidados paliativos, vamos tratar os sintomas e não a raiz do que pode tornar as pessoas mais engajadas, produtivas e satisfeitas com o ambiente e atividades do trabalho.

Vejam a NR1 que está aí, quando vou ver os projetos e o que estão medindo basta ver as escalas que estão sendo utilizadas, o foco é eminentemente em prevenção de risco e não em medir o que promove bem-estar. 

Todos os elementos de dor acima têm relação não só com sermos mais conscientes, mas mudar a forma como trabalhamos. 

Ampliar a consciência precisa se manifestar em mudança de comportamento e circunstância.

Um dos jargões que mais me trazem arrepio no tema é o tal do letramento, vamos educar as pessoas no tema e aí fazemos uma ação de transformação.

Nesses temas, o saber precisa estar acompanhado do ser inevitavelmente.

Afinal só se aprende sobre Gentileza ou Civilidade sendo mais gentil. Não há outro modo.

Nesse período ajudando as pessoas e equipes a redesenharem o seu trabalho, são as pequenas ações decorrentes que geram muita satisfação e ajudam as pessoas a serem felizes no trabalho em seu dia a dia.

Quando vejo que um líder tem mais consciência de seu potencial e do time e começam a ver como podem se complementar para colaborar melhor.

Quando damos voz as pessoas da operação para trazerem propostas de contribuição.

Quando os processos e tarefas são redesenhados para trazerem mais leveza, produtividade e significado no trabalho.

Quando os relacionamentos são reformulados para aprofundar conexão e rede de apoio.

Tudo isso aplicado a projetos práticos dentro da organização que permitem que as pessoas apliquem essas reflexões em projetos reais para implantar uma nova estrutura ou área, para expandir uma marca própria no varejo, para repensar as conversas de carreira em uma organização de benefícios.

Entendendo que cada iniciativa tem seu lugar, onde quero colocar meus tijolinhos na construção do bem-estar nas organizações é nessas mudanças que começam de dentro para fora e que convidam as pessoas não só a se conhecerem mais, mas fazerem mudanças em suas circunstâncias de trabalho.

Nota – Hoje Foi publicado o World Happiness Report – E foco este ano foi a juventude. Sempre vale a leitura em detalhe.

Estamos lá no 32º lugar, nossas fortalezas na américa latina as redes de apoio social.

Pertencimento no ambiente escolar é preditor de bem-estar.

Elementos chave em um mundo hiper conectado usar a tecnologia para conexão social pode promover bem-estar.

Ser refém dos algoritmos das redes não contribui.

Fundamental medir, fundamental trazer mais consciência, mas a mudança está nas pequenas ações individuais e coletivas.

Um convite final: intencionalmente implemente aquela pequena mudança que faria você e as pessoas com quem convive mais felizes.