Conversas significativas de carreira como um ritual de gestão
Gestão

Conversas significativas de carreira como um ritual de gestão

Artigo escrito em colaboração com o Hugo Nisembaum

Uma das solicitações mais recorrentes entre as lideranças tem sido: Como consigo manter uma conversa significativa de carreira com os meus colaboradores?

Comecemos por Carreira. Enquanto o entendimento de Carreira continue ligado a “Planos de Carreira” e a continuar entendendo carreiras exclusivamente na vertical, temos o primeiro problema a superar.

As lideranças terão dificuldades de dar essa resposta. Ao mesmo tempo, são elas as que tem a responsabilidade de conhecer e orientar os seus colaboradores de quais caminhos possíveis percorrer buscando o crescimento.

Carreiras e desenvolvimento são muito maiores do que a trajetória tradicional no organograma. Muitos colaboradores reconhecem que as carreiras operam entre e além das criações artificiais de novos cargos.

É importante reformular a conversa sobre carreiras e introduzir dimensões que sejam profundamente significativas para as pessoas que podem não querer subir na hierarquia, o que não quer dizer que não queiram ampliar as suas responsabilidades e receber oportunidades de crescimento na empresa.

Temos ouvido que os colaboradores querem respostas sobre carreira, mas fazem isso sem se perguntar onde e como querem contribuir. Provocar essa reflexão neles tem se mostrado uma excelente saída para o impasse.

Buscamos ampliar as possibilidades, ajudá-los a traduzir suas prioridades e metas em ações que serão tomadas para criar um futuro e responsabilizar os colaboradores pelo desenvolvimento do que eles indicaram ser importante para eles e poder fazer a ponte entre as suas necessidades e as necessidades da empresa.

Um conceito tem nos ajudado a mudar o paradigma de carreira exclusivamente na vertical, conceber carreira olhando 8 dimensões:

8 dimensões

  1. Contribuição: fazer a diferença, gerando valor através das suas entregas e estar alinhado com seu propósito

  2. Capacidades: construir competências, habilidades e conhecimentos críticos

  3. Confiança: confiar e apreciar seus talentos e habilidades

  4. Conexão: cultivar relacionamentos e aprofundar sua rede

  5. Desafios: ir além do que é conhecido e confortável

  6. Bem-estar: experimentar satisfação, felicidade e alegria em seu trabalho

  7. Escolha: aumentando o controle e a autonomia que você pode exercer

  8. Ascensão: avançando através de promoções ou novas posições

A reflexão sobre essas questões ajuda a projetar um caminho de carreira que seja consistente com os valores, interesses e pontos fortes do indivíduo.

Neste gráfico de pesquisa podemos ver as dimensões que são mais relevantes em uma pesquisa global realizada pela autora Julie Winkle Giulioni, criadora do modelo de 8 dimensões.

Assim como temos que ampliar a percepção do que é carreira, precisamos entender claramente o que gera significado no trabalho.

Segundo Michael Stegger existem 4 dimensões que contribuem para que as pessoas encontrem sentido no trabalho.

Significância: O trabalho é visto como algo importante e que faz a diferença no mundo.

• Coerência: O trabalho se alinha com os valores, crenças e identidade do indivíduo.

• Propósito: O trabalho contribui para um objetivo maior do que o próprio indivíduo.

• Crescimento: O trabalho oferece oportunidades de aprendizado, desenvolvimento e crescimento pessoal.

Para que existam de fato conversas significativas sobre carreiras precisamos expandir a percepção do que é evoluir na carreira e do que gera significado no trabalho, tanto para líderes como para liderados, ou seja é fundamental preparar as 2 pontas.

Um Framework Combinado para conversas significativas estruturadas de carreira.

A integração entre Matriz SOAR, identificar talentos e Job Crafting cria uma abordagem poderosa para conversas de carreira, estruturada em etapas complementares:

1. Matriz Estratégica SOAR: Estabelece a base para o diálogo, mapeando forças, oportunidades, aspirações e resultados esperados, criando um terreno comum para a discussão.

2. Mapear Talentos: Aprofunda o entendimento sobre o potencial, fornecendo insumos precisos para decisões de desenvolvimento.

3. Job Crafting: Permite a cocriação e ajustes no trabalho em 3 dimensões, redesenho de tarefas, de relacionamentos e na percepção do impacto a gerar no trabalho.

4. Alinhamento com o Desafio Organizacional: Conecta as modificações propostas às necessidades organizacionais, garantindo relevância estratégica para as iniciativas de desenvolvimento.

Benefícios do Modelo Integrado para Conversas de Carreira

Esta abordagem combinada oferece vantagens substanciais:

1. Conversas Baseadas em Evidências: Utiliza dados concretos sobre comportamentos, habilidades e aspirações, substituindo percepções subjetivas por informações estruturadas.

2. Diálogos Orientados para Soluções: Foca em possibilidades e caminhos concretos de desenvolvimento, evitando conversas generalistas ou limitadas a feedback corretivo.

3. Protagonismo Compartilhado: Distribui a responsabilidade pelo desenvolvimento entre líderes e liderados, criando um senso de compromisso mútuo com os resultados.

4. Respeito a singularidade: Respeita as pessoas, sem colocar rótulos ou etiquetas, permitindo conversas personalizadas e relevantes para cada indivíduo.

Deixar isso em um registro visual vivo permite que colaboradores e líderes possam acompanhar a evolução dos temas falados de forma estruturada e objetiva. O material não fica morto em uma pasta na nuvem, é um guia vivo que serve de apoio tanto para a autogestão de carreira pelo colaborador como para o acompanhamento e conversas significativas com a liderança.

exemplo base do material gerado em um conversa estruturada em nosso frame.

Temos trabalhado com as áreas de gestão de pessoas para incorporar essa linguagem e multiplicar tanto junto às lideranças como aos colaboradores como parte de seus rituais de gestão.

Hoje é fundamental trabalhar o porquê trabalhamos e não só como trabalhamos. São mais frequentes as questões sobre o significado do trabalho. Da mesma forma em que constatamos que as lideranças devem ser mais humanizadas, isto também vale para as carreiras.