As iniciativas de bem-estar nas organizações de modo geral são lideradas por mulheres e empresas que tem mais mulheres em cargos de direção tendem a ter um olhar mais ativo em questões como equidade, diversidade e inclusão e a agenda ESG.
Na verdade, não é nenhuma surpresa ter uma boa quantidade de mulheres com publicações e iniciativas cujo foco é colocar as pessoas e seu bem-estar no centro da estratégia, título desta newsletter.
Quero citar o trabalho de algumas autoras e pesquisadoras que trouxeram inovações importantes em como olhamos comportamento e arquitetura no mundo do trabalho.
É uma lista bem particular já que são pessoas que com suas pesquisas e publicações foram fundamentais na criação do que eu e Hugo Nisembaum fazemos na Mapa de Talentos em nossos projetos de Job Crafting.
A primeira menção vai para Jane Dutton da Michigan Business School e Amy Wrzesniewski da Yale University as duas tem um papel superimportante pesquisando o impacto do significado no trabalho e como as pessoas encontram sentido naquilo que fazem através do redesenho do trabalho.
Jane Dutton é uma renomada psicóloga organizacional que contribuiu significativamente para a compreensão do conceito de "job crafting" ou ajuste do trabalho. Seu trabalho pioneiro destaca-se por explorar como os funcionários podem moldar ativamente suas tarefas, relações e significados no trabalho para melhor atender às suas necessidades e habilidades individuais. Dutton argumenta que o job crafting não apenas promove a satisfação no trabalho, mas também contribui para o engajamento dos funcionários e para um ambiente de trabalho mais saudável, onde os colaboradores têm um papel ativo na criação de seu próprio significado e propósito no contexto profissional.
Amy Wrzesniewski reforça que os indivíduos podem personalizar ativamente suas tarefas e responsabilidades no trabalho para alinhar-se melhor com suas habilidades, valores e interesses pessoais. Seu trabalho destaca a ideia de que os funcionários não são apenas receptores passivos de tarefas, mas podem assumir um papel ativo na modelagem de seus próprios papéis profissionais.
Particularmente gostamos do trabalho das 2 pela visão de conectar o redesenho com o significado no trabalho, outras abordagens concentram mais energia no redesenho de forma mecânica ajustar somente demandas e recursos que tenho no trabalho. O maior redesenho acontece na mudança de percepção que temos do impacto de nosso trabalho e não somente na alteração das tarefas.
O famoso estudo de Amy feito em uma equipe de manutenção de um hospital chegou a conclusão que os profissionais de saúde que praticavam job crafting experimentavam níveis mais altos de satisfação no trabalho, engajamento e bem-estar psicológico.
Ao permitir que os funcionários remodelassem suas tarefas, redesenhassem relacionamentos e reinterpretassem o significado de seus papéis, Wrzesniewski demonstrou que o job crafting não apenas beneficia os indivíduos, mas também pode ter impactos positivos na eficácia geral da equipe e na qualidade dos cuidados prestados aos pacientes.
Não posso escrever esse artigo sem citar nossa amiga Belén Varela que é uma das principais expoentes do tema Job Crafting na Espanha, nós gostamos muito do olhar dela e como ela encara a metodologia com uma visão holística que integra dimensões de gestão do talento e bem-estar integral.
A definição dela de Job Crafting é uma que mais gostamos:
“Redesenhar o trabalho e adequá-lo às nossas fortalezas, nossas capacidades e principalmente aos nossos interesses, de forma a nos sentir mais identificados com o que fazemos”. – Belén Varela
Recomendamos muito o livro dela sobre Job Crafting!
A importância de estabelecer uma estratégia individual prévia ao redesenho do trabalho:
Ao longo da jornada descobrimos que estabelecer reflexões sobre quem quero ser e como quero contribuir no trabalho tem um impacto muito grande na qualidade do Job Crafting ou redesenho do trabalho que as pessoas realizam.
E como base dessa definição da estratégia individual incorporamos uma Matriz estratégica que tem como base a investigação apreciativa. A Matriz SOAR – Uma matriz que concentra energia naquilo que as pessoas e empresas tem de melhor olhando Pontos Fortes, Aspirações, Oportunidades e Resultados. Deixando de lado o foco nas ameaças e nos pontos fracos que muitas vezes na tradicional matriz SWOT.
Uma das principais responsáveis pela criação desta Matriz é a Jacqueline Stavros da Case Western. Jacqueline ministra cursos de gestão, desenvolvimento e mudança organizacional, estratégia, liderança e criação de valor comercial sustentável. A Investigação Apreciativa (IA) é o cerne de toda a sua pesquisa, ensino e prática.
A Matriz SOAR uma abordagem alternativa à tradicional Matriz SWOT. A Matriz SOAR, que representa Strengths (Forças), Opportunities (Oportunidades), Aspirations (Aspirações) e Results (Resultados), destaca uma perspectiva positiva e orientada para o futuro na análise organizacional. Enquanto a SWOT se concentra em Strengths (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças), muitas vezes centrando-se em aspectos negativos e desafios, a Matriz SOAR destaca as forças e aspirações da organização, alinhando-as diretamente com os resultados desejados. Essa abordagem incentiva as organizações a se concentrarem em suas capacidades positivas, aspirações visionárias e oportunidades estratégicas, promovendo um mindset de crescimento e inovação.
A vantagem da Matriz SOAR sobre a SWOT reside na sua capacidade de inspirar e direcionar ações proativas e construtivas.
Recomendamos o livro dela sobre a Matriz –
O que fizemos é transformar essa matriz como base de uma reflexão individual e de carreira e os resultados são incríveis.
E falando em Mindset de crescimento não podemos deixar de citar Carol Dweck toda a premissa de um trabalho de redesenho do trabalho implica em cultivar uma mentalidade de crescimento.
Para cultivar uma mentalidade de crescimento, Carol Dweck destaca a importância de abraçar desafios e encará-los como oportunidades de aprendizado, em vez de evitá-los por medo de falhar. Ela enfatiza o papel fundamental do esforço contínuo e da resiliência, encorajando as pessoas a verem o processo de aprendizagem como uma jornada constante de melhoria. Além disso, Dweck incentiva a substituição de elogios focados em habilidades inatas por reconhecimento e encorajamento baseados no esforço e na dedicação, criando assim um ambiente que valoriza o processo de aprendizagem e o desenvolvimento pessoal.
E finalmente como pano de fundo que de qualquer trabalho que busca colocar as pessoas no centro da estratégia está a criação de um ambiente que valorize e fomente as emoções positivas. Não podia deixar de falar da Barbara Fredrickson e sua teoria Broaden and Build de emoções positivas.
Este infográfico tem como base um paper de Leslie Sekerka e Barbara Fredrickson que comenta como as emoções positivas combinadas com a investigação apreciativa podem gerar uma reação em cadeia que contribui para a mudança de mentalidade, a ampliação de recursos, visão de mundo, criatividade e inovação, confiança e pertencimento.
A Teoria Broaden and Build, de Barbara Fredrickson, joga luz sobre o impacto substancial das emoções positivas na transformação organizacional. Não é apenas sobre criar um ambiente feliz, mas entender que essas emoções têm o poder de expandir a mente e desenvolver habilidades. Isso significa que um clima organizacional positivo não só eleva o bem-estar, mas também impulsiona a criatividade, resiliência e coesão da equipe, elementos essenciais para uma transformação organizacional eficaz.
A Investigação Apreciativa, por sua vez, atua como uma lente positiva para a empresa. Em vez de focar apenas nos problemas, ela busca identificar e amplificar os pontos fortes e sucessos existentes. Imagine descobrir o que já está funcionando bem e construir a partir disso? Isso cria uma cultura que facilita a adaptação a mudanças e enfrentamento de desafios. Ao integrar a Teoria Broaden and Build com a Investigação Apreciativa, construímos uma abordagem holística que potencializa o crescimento individual e coletivo, promovendo uma cultura organizacional resiliente e inovadora.
Tive a Oportunidade de ter aulas com Barbara Fredrickson no IE Instituto de Empresas em Madrid aonde vimos inclusive o impacto das emoções positivas na redução de manifestação de quadros inflamatórios e na redução da manifestação de aspectos genéticos ( epigenética).
Este artigo não tem conclusões pomposas, apenas um agradecimento a todas as mulheres que estudam e lutam para colocar as pessoas e seu bem-estar no centro.



